Filho com preguiça de estudar? Veja como proceder

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Filho com preguiça de estudar

Filho com preguiça de estudarRepararam como ultimamente a questão que envolve filhos X estudos tem sido tema de preocupação por parte de muitas mães?

São mães em busca esclarecimentos na tentativa de ajudarem os filhos a deixarem a preguiça de estudar de lado e descobrirem o prazer de ir à escola, aprender coisas novas, estudar para progredir. Por isso, mais uma vez nós conversamos com a psicopedagoga Debora Corigliano, autora do livro ‘Orientando pais, educando filhos’, que traz importantes explicações sobre o assunto. Se seu pequeno anda dando trabalho na hora de estudar, veja só como proceder!

É comum as crianças por volta dos 6 aos 10 anos não demonstrarem gosto pelos estudos, preferindo sempre os momentos de brincadeira?

Debora: Se a criança não tem hábito de estudo adquirido desde a educação infantil, agora realmente a preferência maior é pela brincadeira que pelo estudo. Isto acontece porque as crianças estão em uma fase onde as responsabilidades se tornam mais pesadas e os resultados dependem mais delas e de seus esforços do que das atitudes dos pais. Neste momento o mais correto é dividir o tempo em atividades como a hora de brincar, estudar, computador, dormir, etc.

Este tipo de comportamento é mais comum entre os meninos (pelo menos são as mães de meninos que mais reclamam!)?

Debora: Sim, tenho muitos casos no consultório, onde mães de meninos me procuram com a queixa sobre a falta de interesse nos estudos e também a falta de concentração. Respondo agora com uma frase de Aristóteles: “ Nada na vida é mais complicado do que tentar igualar o que a natureza fez diferente”. Os meninos são mais impulsivos e mais dinâmicos e com isso acabam apresentando dificuldades para concentrar-se.

Quais são os primeiros sinais que a criança emite indicando a falta de interesse pelos estudos?

Debora: Quem sinaliza isso é a escola. Pois a professora percebe o baixo rendimento escolar e a falta de interesse em participar das atividades propostas. Porém, pode existir algum fator emocional que leve a criança a se desinteressar pelos estudos como por exemplo: separação dos pais, morte na família, mudança de casa ou escola, etc. Sempre é interessante que a escola mantenha um canal de comunicação com a família!

Em casa, como os pais devem proceder não somente para que a criança estude (muitos forçam e a criança acaba estudando, mesmo detestando estar ali), mas para que tome gosto pelos livros?

Debora: O exemplo vale muito mais que as palavras ou até mesmo o castigo. A criança que cresce vendo seus pais lendo, se interessando por assuntos diversos e rodeada por livros e revistas agirá com tranquilidade quando a escola solicitar a leitura específica de um livro. Agora se este hábito não existe na família, a criança passará por um processo de adaptação. Deverá inicialmente estudar e ler em conjunto com seus pais. Os pais devem ensinar seus filhos a estudar, montando estratégias que facilitem este ato e não somente cobrar resultados. O estudo forçado leva a criança a não gostar da escola e de aprender.

Castigo para as que não estudam resolve?

Debora: Isto é muito relativo. Primeiro temos que pensar porque a criança não estuda? Preguiça, falta de interesse, questão emocional, não está enxergando bem, tem problemas auditivos. Depois de descartadas as hipóteses significativas, vamos focar na punição para o delito que é não estudar. Neste caso temos dois tipos de punição. A primeira será a própria nota e até a retenção escolar. Por si só a criança determinou seu castigo. Porém se os pais não querem chegar a este extremo, podem sim estipular uma punição que esteja relacionada ao fato em si. O que não pode acontecer é a criança que não estuda e o pai tirar o videogame, o computador ou a TV. O que é mais sensato fazer é combinar: ‘filho, você tem horário para estudar e para jogar videogame, mas como você não está cumprindo com este combinado nós vamos diminuir o tempo do videogame para que você se dedique mais à leitura e ao estudo. Quando suas notas melhorarem, você volta a ter mais tempo para brincar ‘. Neste caso a punição ou o castigo será o próprio estudar. Porém não basta estipular esta ação e não supervisionar, a participação dos pais neste momento da punição é muito importante.

E na escola, como os professores devem proceder para ‘ganhar’ a atenção desta criança?

Debora: Isto é muito fácil. A criança precisa de pequenos sucessos para que a autoestima se estabilize e ela passe a ter mais interesse em estudar e obter notas boas. Pequenas metas, atividades lúdicas, porém que exijam raciocínio, e trabalhos em grupos farão com que a criança se motive, pois tem obtido sucessos em suas empreitadas. Desta forma a vontade de continuar acertando fará com que ela se interesse mais pelos estudos e pela participação e interesse em sala de aula. Isso exige do professor uma atenção especial, porém o retorno disto é muito bom.

Um dia esse desinteresse passa naturalmente? A criança, quando chega na adolescência passa a se interessar mais pelos estudos?

Debora: Não. Se ela não aprendeu a cultivar o hábito do estudo e não está acostumada a ter uma rotina diária fica muito mais difícil. Por que? Ao longo da carreira acadêmica a criança tem que aprender a estudar. Buscar estratégias que ajudem na memorização e na aquisição do conhecimento. Isso deve ser feito no início do ensino fundamental e absorvido durante os 9 anos seguintes, desta forma o jovem estudante saberá conduzir seus estudos no ensino médio e também para o vestibular. Isso nos faz concluir que a presença dos pais, a parceria com a escola, o estímulo para leitura e a aquisição de bons hábitos desde a primeira infância são extremamente importantes para o sucesso acadêmico.

Caso a criança não tenha tido esta oportunidade, terá que aprender a estudar, não importa a idade. E para que isso aconteça sem traumas, castigos e brigas se faz necessária a parceria e orientação por parte dos profissionais da escola e da ajuda também de um psicopedagogo.

Last modified: 18/09/2017

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