Bullying e Cyberbullying

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bullying-e-cyberbullyingAtaques psicológicos e físicos de forma intencional cometidos por uma ou mais pessoas contra alguém que geralmente não tem capacidade de se defender. Esta é a prática do bullying e cyberbullying, quando ocorre pela internet.

A frequência com que este tipo de violência (bullying e cyberbullying) vem acontecendo e a forma de divulgação adotada pelos próprios agressores, que postam mensagens em sites de relacionamentos ou colocam na internet vídeos que contenham cenas da agressão, chamam a atenção de pais e educadores.

Segundo Maria Tereza Maldonado, mestre em Psicologia Clínica pela PUC-SP e autora do livro A Face Oculta – Uma história de bullying e cyberbullying, da Editora Saraiva, é possível e necessário preservar as vítimas e orientar os agressores. Veja a seguir:

O que caracteriza a prática do bullying? Por que o problema ocorre e se torna cada vez mais comum?

O bullying se caracteriza como condutas agressivas feitas de modo repetitivo com o objetivo de perturbar e desestabilizar a pessoa ou o grupo escolhido como alvo. Na escola, as manifestações mais comuns são: apelidos depreciativos, xingamentos, ameaças, excluir do convívio, roubar ou danificar os pertences, agressões físicas.

O bullying sempre aconteceu em todas as escolas: por muito tempo, considerou-se “brincadeira de crianças” e não seu deu maior importância ao tema. É semelhante ao que tradicionalmente acontecia na educação dos filhos: os pais se achavam no direito de xingar, espancar e cometer outras formas de violência para “endireitar” as crianças rebeldes.

Atualmente, esses casos vão parar nos Conselhos Tutelares como ações de violência intrafamiliar que precisam ser tratadas para que os pais se conscientizem do direito das crianças de serem educadas sem violência. Com o bullying está começando a acontecer algo idêntico: é preciso trabalhar o conceito de que “agressão não é diversão”. Condutas de perseguição implacável, mensagens difamadoras e depreciativas, agressões físicas ou verbais não são aceitáveis.

Como os pais podem conseguir identificar se este problema ocorre com seus filhos?

Os principais sinais são mudanças de comportamento do tipo: não querer ir para a escola, pedir para mudar de turma, sintomas de angústia (dor de cabeça, de estômago, suor frio), dificuldade de concentração e queda do rendimento escolar, tornar-se arredia, tensa, preocupada.

Os pais precisam mostrar-se abertos à escuta, encorajando a criança a expressar seu sofrimento, sem criticá-la por ser “fraca” e sem se apressar a criar soluções que muitas vezes ela não se sentirá em condições de colocar em prática. É importante pensar junto com ela a criação de recursos pessoais e de alianças com os amigos que a tornarão capaz de enfrentar os agressores, da mesma forma que é essencial que a escola promova um programa anti-bullying eficiente.

Que providências devem ser tomadas pelos pais das vítimas e pela escola caso o bullying ocorra?

Construir programas anti-bullying que envolvem toda a equipe escolar, os alunos e as famílias no sentido de criar uma cultura de não tolerância às ações do bullying e cyberbullying, colocando os limites devidos e as consequências cabíveis às condutas de agressão, estimulando a expansão dos recursos para fortalecer as vítimas, propiciando aos agressores o bom uso de suas capacidades de liderança e o aumento da empatia, estimulando a ação eficaz das testemunhas. O resultado é a melhoria da qualidade dos relacionamentos e o uso responsável da tecnologia.

Como as próprias crianças devem se preservar para não serem vítimas?

Precisam desenvolver recursos de relacionamento e a capacidade de superar obstáculos com determinação e persistência. Mas, sobretudo, devem ter a confiança de que poderão contar com a ajuda da rede de amigos e dos adultos da família e da escola caso venham a ser escolhidas como alvo. Sofrer a dor silenciosa dos ataques de bullying e cyberbullying repercute desfavoravelmente no desenvolvimento.

Que providências devem tomar os pais e professores em relação aos agressores? Aliás, o que leva crianças a ter esse tipo de comportamento agressivo?

A prática do bullying é aprendida (e, portanto, pode ser desaprendida) e preenche necessidades de poder e de liderança que muitas vezes procuram disfarçar a insegurança do autor de bullying. É importante que os pais e educadores mostrem ao agressor que se divertir às custas do sofrimento dos outros e inaceitável e que ele pode desenvolver maneiras de se destacar com habilidades valiosas.

Last modified: 18/09/2017

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